O PAI NOSSO DE CADA DIA

Ai, pensei. Odeio pensar. Cansa-me construir períodos. Pensar cansa. Cansa. Pensar é inconclusivo, quem pensa nunca chega a lugar nenhum. Estas negativas se anulam? Ai, Viu? Pensei, cheguei a lugar nenhum. Mas a frase ficou muito melhor. Aí você pensa, procurando solucionar problemas. Mas pensar, só, não concretiza. Nem toda massa cinzenta é cimento. Depois de pensar, ainda temos que agir, então por que não agir sem pensar? Por que pensar antes de escrever, se pensar não põe tinta no papel? Pensar antes de escrever é uma perda de tempo perdido porque pensar só desperdiça tempo que poderia ser gasto escrevendo frases mais econômicas e coesas que senão não chegam a lugar nenhum.

Pensei que seria bom escrever um texto sobre pensar. E então escrevi. Se não escrevesse, não haveria texto, mas há. É bom? Não sei. Redundante? Talvez. Sei que pensei e escrevi, e essas são minhas certezas, são tudo o que sou no momento. Se não fossem, seria nada. Tudo o que sou é um pensamento e um texto. Pensar não é tudo, mas pavimenta o caminho, resta trilhar.

Agir é tão importante quanto pensar, mas se o pensamento não antecede a ação, que também não a suceda, pois isto só traz arrependimento. Em outras palavras, para quem não age de caso pensado, pensamento é martírio, não dádiva.

A fé não é um contrassenso, mas O contrassenso. Quem reza por fé já rezou errado. Não é do silêncio da alma que se constrói uma oração. Uma oração é um agregado de pensamentos que permeia a comunicação, com seus deuses, com o próximo, consigo. Não há oração sem razão, portanto, não há oração de fé. A fé interfere no exercício religioso. A fé consome a religião. De vez, invertemos a relação, é a religião que alimenta a fé, não a fé que alimenta a religião. A fé demanda o irracional, a religião produz o irracional. Veja que precisa foi a frase: “O ópio do povo é a religião”, e, do mesmo modo como o trabalho, opera, a indústria da alienação. Releia releia releia releia releitura e reinterpretação, da Bíblia, do Dhammapada, dos cânones, do Alcorão.

Sede o feixe entre a esfera fraca e a luz etérea a não brilhar. Um fluxo perfeito demanda energia e sentido a tramitar, a água para fluir e o desnível para guiar. O lago é límpido e sereno, mas já não muda de onde está; o mar avança por sobre as praias, mas, revolto como é, tende a ser sempre e tão somente o mar. O rio erige o progresso, sabe aonde vai e o que levar; e se fica a andar em círculos, culpado o lago, culpado o mar.

Deixo a cargo do leitor a distribuição aleatória dos nomes de meia dúzia de pensadores no decorrer do texto. Alguns são marx evidentes do que outros.

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